10 de setembro de 2009

Escola Base 2? A culpa é de quem?

Ao lado de esculhambar a classe média, a diversão preferida das pessoas ultimamente tem sido tomar jornalista para Judas Iscariotes. É só dar uma navegada básica por aí. Até aí, beleza, vivemos em uma democracia e cada um tem o direito de ter a sua opinião. Não sou mimada o suficiente para achar que todo mundo precisa me considerar a pessoa mais legal do mundo só porque sou da classe média E jornalista.

Não quero aqui defender nenhum jornalista (nem vou falar da classe média, porque o Emanuel já fez isso no blog dele de forma espetacular) e nem acho que o jornalismo hoje em dia seja uma grande maravilha. Pelo contrário, muita coisa tem que mudar. Só quero colocar em pauta um questionamento: até que ponto público e fonte contribuem para o jornalismo ter esse lado ruim?

Vou citar como exemplo o depoimento em que o Nelsinho Piquet confessa à FIA que bateu deliberadamente no GP de Cingapura para baneficiar o Alonso. Ou melhor, suposto depoimento. Isso porque julgamentos com relação à postura do Nelsinho é um item que não falta hoje na Internet, mas ninguém se atentou para um único detalhe: o tal documento (que pode ser visto aqui) foi publicado por um site bizarro (que eu nunca tinha ouvido falar até esta quinta), não é assinado por nenhum repórter e, na boa, não seria nada difícil de ter sido escrito por mim (ou por vc, ou pelo Alonso, ou pelo seu vizinho, ou pelo Papa...), impresso e depois assinado com um NP ao lado de cada folha e um NPiquet no final. Quem me garante que a assinatura do Nelsinho é assim?

Foi justamente pensando nisso que eu, como setorista de Motor na Gazeta Esportiva.Net, optei por não abrir nota falando sobre este documento. Alguém pode falar (como falaram): "Ué, mas é só dar crédito para os caras e foda-se". É um argumento fraco, visto que uma coisa é dar crédito para uma Autosport ou um Reginaldo Leme, veículos/jornalistas sérios, e outra bem diferente é citar que um site X soltou um documento (sem nenhum timbre da FIA ou algo que prove a sua veracidade) que condena o Piquet.

(Precipitadamente na fogueira?)

Ora, se for assim, posso me lamentar porque deixei passar uma grande chance de ter pregado uma pegadinha mundial escrevendo um documento do tipo aqui no Nossa, Canossa!. E olha que eu ainda acho que teria um pouco mais de credibilidade, já que muitos aqui sabem que eu realmente trabalho com automobilismo e tenho algumas fontes por aí. E o F1SA? Alguém conhece os jornalistas que trabalham lá?

Outra coisa: será que o Nelsinho é tão burro a ponto de ter divulgado propositalmente que participou dessa armação, mesmo correndo enorme risco de se queimar com público e as pessoas que trabalham na F-1 (como, de fato, está se queimando)? Mesmo que seja, eu sinceramente acho que o Nelsão não seria estúpido a este ponto. Há duas possibilidades então: ou tem mais coisa nessa história ou esse depoimento não é verdadeiro (não na forma como ele foi divulgado hoje).

O que o manual do bom jornalista recomenda neste caso: tente confirmar que este documento é real. E é aí que eu volto ao começo do post, quando defendo que público e fonte também têm responsabilidade nas merdas do jornalismo. Tentei o dia inteiro ver se isso era verdade: assessoria da FIA, assessoria do Nelsinho, o próprio Nelsinho e... nada. Ninguém me respondeu.

Mantive a postura de não publicar a notícia porque os principais sites internacionais (Autosport, iTv, BBC...) também não deram nada, mas se o Nelsinho não desmente a informação, apesar da insistência de alguns em checar, não terá o direito de acusar ninguém de estar ferrando com o nome dele injustamente, caso amanhã descubra-se que o F1SA fez uma pegadinha. O Nelsinho está, na verdade, é contribuindo para deixar o ambiente mais confuso ainda (seja qual for o seu motivo).

Não vou me colocar aqui como paladina do bom jornalismo, até porque tenho a consciência de que eu mesmo poderia ter embarcado nessa se tivesse acordado um pouco menos ranzinza hoje. Sei também que há uma grande pressão por aí para publicar bombas como esta o mais rápido possível, afinal o público anseia e pressiona por essas coisas. Mas, se amanhã vier um desmentido dos fatos, todo mundo vai deixar de jogar pedras no Nelsinho para sair atrás dos jornalistas com uma tocha de fogo nas mãos... até que apareça(m) outro(s) vilão(ões). E assim caminha a humanidade...

8 de setembro de 2009

Carolina Canossa em HQ





By povo da Gazeta Esportiva.Net

2 de setembro de 2009

Auto-escola

(Se segura, Rubinho, que eu tô chegando...
Crédito: Pilatos/Gazeta Press)


http://www.gazetaesportiva.net/nota/2009/09/01/597218.html

Leiam lá, comentem aqui

23 de agosto de 2009

Ôôôô, o Rubinho voltou!

(Crédito: AFP)
A musiquinha insuportável que tomou de assalto todos os estádios brasileiros, mesmo que seja só para comemorar a evolução do 15º para o 14º lugar, serve muito bem para lembrar a todos desta previsão aqui.

Só vacilou porque não cumpriu a promessa de dançar o moonwalk no pódio. Devia fazer, já que o Michael ainda não foi enterrado.

20 de agosto de 2009

A volta dos que não foram

Acho que vou ressuscitar isso aqui.

Essa onda de Twitter quase matou os blogs, aliado a sempre onipresente falta de tempo. Olhando por aí, vejo que sou uma regra, não uma exceção. Muitos não escrevem há semanas. Outros, já assumiram a desistência em definitivo, apesar de honrosas exceções. Alguns estão retomando aos poucos as postagens.

Vou tentar fazer parte deste último grupo. Uma alternativa é fazer textos mais curtos. Ou postar em dias certos. A verificar.

Até porque o Twitter encheu o saco. Qualquer zé-mané/empresa-de-fundo-de-quintal hoje tem um Twitter só para estar na moda. Na boa, 140 caracteres é muito pouco e superficial, poucos conseguem ser relevantes. No final das contas parece uma grande feira, com todo mundo gritando para chamar sua atenção.

Acho que uma coisa boa disso tudo é que os blogs, de uma maneira geral, vão ficar melhores.

Ah, que quiser seguir é @carolcanossa. Mas, a depender do meu humor neste momento, vai virar mesmo é um grande divulgador de links.

28 de junho de 2009

Como lidar com gente besta

Estou em Goiás a trabalho. Ainda em Congonhas, observei um casal usando máscaras cirúrgicas para se proteger da gripe suína. Destacavam-se na multidão porque eram os únicos a fazer isso.

Como ninguém que esteja efetivamente contaminado teria a permissão de ficar circulando por aí, era óbvio que se tratava apenas de uma idiotice preconceituosa de ambos. Por coincidência, os dois embarcaram no mesmo voo que eu, postando-se bem atrás de mim na hora de subir a escadinha do avião.

E aí, o que você faz? Óbvio: pega gripe suína por alguns segundos e começa a tossir freneticamente na direção dos dois, que fazem cara de nojo. E tosse mais ainda, como se estivesse nas últimas. Olhar aterrorizado.

Tenho ciência que quase fui detida pela Anvisa, mas que pelo menos eu me diverti, ah eu me diverti...

8 de junho de 2009

As pessoas do menor estado da federação (um guia de viagem)

Esse texto já estava guardado nos rascunhos do meu GMail há um tempão, mas eu sempre esquecia de postar. Anyway, acho que ainda serve (não é possível que Sergipe tenha mudado tanto em dois meses), desde que se ignore o fato de eu já ter voltado de lá há um tempãããão...

Ah, também resolvi dividi-lo porque a primeira versão estava gigantesca. Enfim, mais capítulos nos próximos dias.

Quer ir para um lugar realmente calmo em suas férias? Uma praia do Nordeste sem o insuportável e constante fundo musical de axé? Bem vindo ao Sergipe!

Fato: os aracajuanos ainda não acordaram muito para o turismo, o que torna um pouco complicada a missão de comprar uma lembrancinha em, por exemplo, um domingo à tarde - contou a guia que, certa vez, perguntou a um comerciante local se ele abriria no final de semana, pois ela estaria com um grupo de turistas na cidade. E ele respondeu: "Olhe, vai depender do meu humor". Melhor clima de "fodam-se, turistas", impossível.

Porém, em minha opinião, este estilo é até uma vantagem. Na capital do Sergipe, não há aquele clima de Salvador, no qual as pessoas, se puderem, respiram pelo turista, cantam para o turista, espirram pelo turista... e acabam criando situações em que ninguém ficada à vontade e a simpatia (fake) se torna constrangedora, com um único objetivo: te tirar o maior número de reais possível.

Traduzindo: o povo sergipano é muito solicíto, mas sem jamais ser servil. Gostam bastante de conversar e são educadíssimos: a limpeza da cidade prova que essa não é apenas uma característica para turista ver. Cidade que, aliás, surpreendeu a muitos ao ser declarada, em abril do ano passado, a "capital de melhor qualidade de vida do país" (sabia disso, nhei, nhei?).

Tenho por mim que isso se deve ao fato de Aracaju ser uma cidade pequena, com pouco mais de 500 mil habitantes - o estado inteiro, aliás, fica na faixa dos 2 milhões, o que traz uma sensação de lugar desabitado. Não é raro você andar, andar e andar e encontrar pouca gente pelo caminho, mesmo no sábado à noite. "Onde estão as pessoas deste lugar?", você pensa, já no aeroporto. E pensa de novo, a caminho do hotel. E mais uma vez, quando vai passear. Aliás, só não pensa nisso quando está no terminal central de ônibus, espécie de Estação Sé aracajuana.

Reza a lenda que umas estátuas de bronze espalhadas pela cidade na verdade não servem para homenagear ninguém, mas sim para fazer o turista se sentir menos solitário...