28 de Junho de 2009

Como lidar com gente besta

Estou em Goiás a trabalho. Ainda em Congonhas, observei um casal usando máscaras cirúrgicas para se proteger da gripe suína. Destacavam-se na multidão porque eram os únicos a fazer isso.

Como ninguém que esteja efetivamente contaminado teria a permissão de ficar circulando por aí, era óbvio que se tratava apenas de uma idiotice preconceituosa de ambos. Por coincidência, os dois embarcaram no mesmo voo que eu, postando-se bem atrás de mim na hora de subir a escadinha do avião.

E aí, o que você faz? Óbvio: pega gripe suína por alguns segundos e começa a tossir freneticamente na direção dos dois, que fazem cara de nojo. E tosse mais ainda, como se estivesse nas últimas. Olhar aterrorizado.

Tenho ciência que quase fui detida pela Anvisa, mas que pelo menos eu me diverti, ah eu me diverti...

8 de Junho de 2009

As pessoas do menor estado da federação (um guia de viagem)

Esse texto já estava guardado nos rascunhos do meu GMail há um tempão, mas eu sempre esquecia de postar. Anyway, acho que ainda serve (não é possível que Sergipe tenha mudado tanto em dois meses), desde que se ignore o fato de eu já ter voltado de lá há um tempãããão...

Ah, também resolvi dividi-lo porque a primeira versão estava gigantesca. Enfim, mais capítulos nos próximos dias.

Quer ir para um lugar realmente calmo em suas férias? Uma praia do Nordeste sem o insuportável e constante fundo musical de axé? Bem vindo ao Sergipe!

Fato: os aracajuanos ainda não acordaram muito para o turismo, o que torna um pouco complicada a missão de comprar uma lembrancinha em, por exemplo, um domingo à tarde - contou a guia que, certa vez, perguntou a um comerciante local se ele abriria no final de semana, pois ela estaria com um grupo de turistas na cidade. E ele respondeu: "Olhe, vai depender do meu humor". Melhor clima de "fodam-se, turistas", impossível.

Porém, em minha opinião, este estilo é até uma vantagem. Na capital do Sergipe, não há aquele clima de Salvador, no qual as pessoas, se puderem, respiram pelo turista, cantam para o turista, espirram pelo turista... e acabam criando situações em que ninguém ficada à vontade e a simpatia (fake) se torna constrangedora, com um único objetivo: te tirar o maior número de reais possível.

Traduzindo: o povo sergipano é muito solicíto, mas sem jamais ser servil. Gostam bastante de conversar e são educadíssimos: a limpeza da cidade prova que essa não é apenas uma característica para turista ver. Cidade que, aliás, surpreendeu a muitos ao ser declarada, em abril do ano passado, a "capital de melhor qualidade de vida do país" (sabia disso, nhei, nhei?).

Tenho por mim que isso se deve ao fato de Aracaju ser uma cidade pequena, com pouco mais de 500 mil habitantes - o estado inteiro, aliás, fica na faixa dos 2 milhões, o que traz uma sensação de lugar desabitado. Não é raro você andar, andar e andar e encontrar pouca gente pelo caminho, mesmo no sábado à noite. "Onde estão as pessoas deste lugar?", você pensa, já no aeroporto. E pensa de novo, a caminho do hotel. E mais uma vez, quando vai passear. Aliás, só não pensa nisso quando está no terminal central de ônibus, espécie de Estação Sé aracajuana.

Reza a lenda que umas estátuas de bronze espalhadas pela cidade na verdade não servem para homenagear ninguém, mas sim para fazer o turista se sentir menos solitário...

12 de Maio de 2009

DEUS!!!!

(Crédito: Folha Imagem)

Rogério Ceni? Blergh. Júlio César? Blergh, Blergh.Doni? Blergh, Blergh, Blergh. Felipe? Blergh, Blergh, Blergh, Blergh. Fábio Costa? Blergh, Blergh, Blergh, Blergh, Blergh...

Luxemburgo? Foi um imbecil covarde. 
Quando eu crescer, vou construir um busto do Marcos na minha sala.
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DEPOIS DO CHILE, GRIPE SUINA ATACA O NORDESTE!

9 de Maio de 2009

2000inove na maneira de roubar


E aí que essa semana chegou a fatura do meu cartão de crédito Bradesco. Como não comprei novo nada este mês, deveria ser debitado o mesmo valor de abril, ou seja, as prestações de umas compras parceladas que fiz em março.

Porém, havia 15 reais a mais sendo cobrados, sob o pretexto de "Tarifa de Limite Excedido". O detalhe é que, nem no mês passado e nem agora, o meu limite estava excedido.

Fui ao banco conversar com o gerente. Ele olhou as cobranças, viu que aquilo realmente estava estranho e me mandou ligar lá no Fone Fácil, Opção 6, dar o número do cartão e pedir o estorno.

Liguei, digitei tudo, ouvi musiquinha e finalmente consegui falar com a atendente. Expliquei a situação, ela falou que iria ver e o telefone ficou um tempão em silêncio, só com barulho de teclas ao fundo (o que esse povo tanto digita?).

Daí, ela voltou com esta: "Senhora Carolina, o Bradesco, para evitar o seu constragimento de barrar sua compra quando o limite excedido, libera a compra, mas depois cobra essa tarifa de 15 reais".

Respondi: "Ok, mas o meu limite não foi excedido"

E ela: "Posso cancelar essa serviço?". E eu dei a autorização.

Em resumo: o Bradesco me impôs um serviço que eu sequer solicitei e do qual nunca precisei (e espero nunca precisar). Eles simplesmente estão supondo que eu vá exceder o meu limite e iriam liberar a compra neste caso para evitar o meu constrangimento (olha como eles são legais!), mas, por via das dúvidas, já estavam me cobrando antecipadamente, eu exceda ou não.

Conversando com a minha mãe, decidimos passar a agir da mesma forma:

- Na próxima vez que eu ligar para o Bradesco, já vou de cara mandar a atendente tomar no cu, porque vai que ela me irrite...

- Também vou solicitar a eles um depósito de 100 mil reais na minha conta, porque vai que eu ganhe um milhão e coloque na poupança. Preciso que esses juros rendam desde já...

- Pelo lado pessoal, estou pensando também em já tomar remédio para aborto, porque vai que eu engravide este mês...

- Ah, também jogarei uma bomba na sede do Bradesco, porque vai que o "jênio" que teve esta ideia esteja lá...

6 de Maio de 2009

Imã de malucos

Dois posts atrás, o Trotta disse que eu era um imã de malucos. Apesar de nãoter sido a primeira vez que ouço estava frase, eu mesma não acreditava muito nisso. Porém, esta semana fui obrigada a reconhecer: sim, eu sou um imã de malucos. Pior: trata-se de uma tendência genética.

De volta a São Paulo após a passagem pelo Sergipe, decidi aproveitar os últimos dias de férias para visitar a família em Minas. O problema é que a viagem de ônibus dura quase 15 horas e, na última parada, você já está mais quebrado que palmeirense no meio da Gaviões da Fiel.

Pois bem: estava eu e minha mãe em um posto lá em Corinto, cerrado das Minas Gerais, quando, na hora de pagar a conta do cafezinho consumido, um rapaz que estava conversando com a atendente pergunta, do nada, de onde somos. 

Baixinho, magrinho, feio que dói, com uma jaqueta velha da Ferrari imitando couro e um cigarros de palha na mão. Não devia ter mais que 35 anos. Vendo o tipo, eu, anti-social que sou, já dei um jeito de sair dali. Mas minha mãe estava simpática e respondeu que era de São Bernardo.

O homem falou: "Não acredito, eu também sou!" e disse algumas referências que provavam que ele realmente conhecia a cidade. Até aí, nada demais, minha mãe disse "Que legal", terminou de pagar e também saiu do restaurante. Antes de voltar ao ônibus, porém, resolveu fumar um cigarro e eu fiquei lá fora com ela.

Eis que menos de um minuto depois, o ser aparece de novo querendo puxar assunto. Apresentou-se como Marcatto ("É nome italiano, sabe?") e, sem ser solicitado, começou a fazer um resumo da própria vida. Disse que estava indo para São Bernardo de moto e tinha parado ali para descansar. Morava em uma cidade X do norte de Minas (na verdade, eu esqueci o nome) e que tinha se mudado para lá depois que se cansou de trabalhar em Sao Paulo.

O Marcatto contou que era engenheiro civil formado pela FEI e que chegou a trabalhar em três turnos nas fábricas daqui do ABC. "Emendava um no outro, daí dormia uma meia hora na fábrica mesmo, acordava, ligava a máquina, cochilava de novo e trabalhava". Por isso, tinha conseguido juntar muito dinheiro aos 23 anos, quando cansou dessa vida e foi embora. Tinha 200 mil reais, no dinheiro de hoje.

Chegando em Minas, arrumou emprego na Vale e estava coordenando 78 projetos no Pará. Ocupado, tinha três secretárias, todas incompetentes. "Eu não falo, grito. Eu não peço, mando", afirmou, com todo orgulho do mundo, durante seu monólogo (a essa altura, já havia virado um monólogo). Porém, revelou que estava cansando de novo e queria voltar a São Paulo.

Como se não bastasse, o tal do Marcatto contou que tinha um projeto social com mais de mil crianças carentes. Já havia sido casado seis vezes, mas na primeira vez não tinha dado certo, a segunda esposa morreu do coração, a terceira o traiu seis vezes e ele perdoou até não aguentar mais. As outras, ele nem se lembrava mais. A atual, disse, queria uma empregada para ajudar em casa, mas ele, que "tinha dinheiro para contratar até dez", não havia se casado para a mulher ficar sendo sustentada por ele.

Marcatto disse ainda que gostava de "pegar essas meninas pobrezinhas de 13 anos na estrada, levar pro motel, colocar a arma em cima da mesa, pá-pum e depois sentar e falar: 'Vamos conversar'". Percebendo a merda que falou, tentou se desculpar, afirmando que "Não, não era isso que vocês estão pensando. Era para levar para o projeto social". Ah, tá.

O tempo da parada então se esgotou e não tivemos mais a oportunidade de seguir conversando com importante figura. Não voltei ao ônibus, porém, sem que ele me desse (sem eu pedir) o telefone dele e o telefone da mãe dele (!!!!), que morava em São Bernardo. "Quando chegar em Bocaiúva, liga lá e fala que você conheceu o Marcatto e que ele está indo para lá". Claro.

E, pela segunda vez em menos de um mês, eu e minha perdemos a chance de se casar com um homem rico. Sim, existem coisas piores que o Seo Joaquim.

27 de Abril de 2009

Desafio

Estava eu à toa no Orkut agora há pouco, quando me deparo com uma invasão (nota para os não-iniciados: quando alguém entra no seu profile e, com o seu consentimento, escreve no campo de "about me") no perfil do meu primo. Quem conseguir traduzir primeiro sem chorar de dó da Língua Portuguesa ganha um doce de leite de Minas:

"vai todo mundo para o canto que ah jeny ta chegando utii utii utii vo entra no teu orkut hugo maizii enportantii pra mim Amor zinhu mais lindoO q tem no mundinho da jeny aquii pasando aquii pra dizer ou menhor agradeser por vc ter entradu na minha vidA 
Vc foi um presente de deus 
q todos os dias de sua vida seija os menhores esta perto de vc e um previlheijo A DISTANCIA ENTRE NOIS NÃO PODE SEPARA EO QUE SINTO POR VC NÃO VAI PASSAR uq deus uniu ninguem separá jeny e hugo para senprii te amo ♥"

25 de Abril de 2009

O menor estado da federação

A ideia inicial era aproveitar as férias para ir ao Acre tomar Guaraná Jesus e conhecer os Lençóis Maranhanses. Mas pesquisa dali, pesquisa de cá, a Internet dizia que em abril pouco chovia por lá e haveria grande chance de eu caminhar três horas pela areia, debaixo de um sol infernal para me deparar com uma pocinha. Detalhe que o Maranhão está debaixo d'água, mas ok, eu ainda confio no Google.

A segunda opção então era Fernando de Noronha. Entretanto, pacotes na faixa de quatro mil reais por cabeça por uma semaninha não animaram o meu bolso de jornalista. Cidades grandes como Fortaleza e Recife também estavam fora de cogitação. Era preciso um lugar diferente. 

Eis que, fuçando o site da CVC, surgiu Aracaju. Por que não o Sergipe? Eu não tinha a menor noção do que encontraria por lá, mas pelo menos uma coisa estava certa: eu voltaria com novidades, seria quase uma desbravadora, afinal boa parte dos turistas (exceto o Cazavia) que escolhem o Nordeste fazem questão de ignorar "o menor estado da federação", como os próprios sergipanos se definem.

Pausa para um rápido comentário: eu não ouvia a palavra "federação" sem estar vinculada a esporte desde as aulas de Estudos Sociais, na terceira série do Ensino Fundamental. 

Voltemos: vale a pena. Estou escrevendo um texto (gigantesco!) para dar minhas impressões aos interessados no estado e na cidade. Por enquanto, posso dizer que foi uma viagem engraçada desde o início: assim que eu e minha mãe sentamos no avião, conhecemos o Seo Joaquim, um típico exemplar de pessoa que definimos como "interativa".

Sergipano, advogado criminalista, advogado trabalhista, procurador, morador do Maranhão por mais de 15 anos, pai de cinco filhos homens, etc, etc... a figura já tinha contado metade da vida dele antes que o avião sequer tivesse levantado voo de Cumbica.

Disse que estava em São Paulo para aconselhar um cliente em um caso de assassinato (desconfio que o tal cliente era o assassino), que havia se hospedado naquele hotel chique ao lado do aeroporto e o que o filho, cuja mulher está com câncer, foi lá almoçar com ele. A conta deu mais de mil reais. U-hu!

Como se não bastasse, passou a dar em cima da minha mãe descaradamente. Saiu-se com esta: "Você é muito parecida com a minha finada mãe"... para segundos depois completar: "Ela foi a mulher mais linda que eu já conheci". Que beleza!

Depois, quando minha mãe tinha ido ao banheiro, disse que ela devia ser "uma tradicionalista, uma conservadora filha de um pecuarista" só porque ela havia comentado que era mineira e não se arrependia em nenhum momento de ter casado com o meu pai. Claro, acertou tudinho. Só precisa avisar meu avô onde estão as cabeças de gado...

Por mais que tentássemos ler, o seo Joaquim sempre dava um jeito de cutucar nossos braços para iniciar um novo assunto. Falha nossa não saber naquele dia que era possível solicitar fones de ouvido à aeromoça (pobres que nunca anda de avião é assim...) . Seriam de grande utilidade.

Comentários ainda sobre o dia que a polícia de Aracaju havia pedido dois mil reais para matar o suspeito de ter assaltado o filho-médico-que-estudou-em-São-Paulo (ele não aceitou porque, segundo o filho, "era um negrinho mirradinho e não esse gori..., esse negão") e sobre as varizes vaginais que fizeram a mãe dele morrer (sim, chegou nesse nível).

Três horas depois, demos graças a Deus por termos o encontrado em um voo para Aracaju e não para Fortaleza ou Miami. Juro que até outras pessoas no voo vieram nos cumprimentar depois pela nossa paciência com o homem. Já desembarcamos com os pecados perdoados.

As fotos, se alguém tiver curiosidade de ver, estão aqui.